
DUMBO (2019)
REVIEW DE: TELMO ANTUNES
Aqui estamos nós para a tão antecipada review de "Dumbo" da Disney. Esta reimaginação do clássico de 1941 pelas mãos mágicas do meu diretor favorito de todos os tempos, Tim Burton.
A propaganda para este filme foi promissora, mais um remake/live-action de um clássico amado que tinha tudo para dar. Posters com cores chamativas e trailers que nos faziam chorar, mas será que o filme cumpriu a expectativa?
Devo admitir que, particularmente eu, estava deveras ansioso pelo lançamento deste filme pelo facto de que era do Tim Burton e todos nós sabemos que ele e a Disney raramente falham. Pelo menos para mim! Mas agora vou-me contradizer! A Disney e o Tim Burton falharam na abertura do filme. O CGI terrível em ecrãs HD deixou-me irritado porque senti que o filme já estava perdido. Depois, as cores. Tim Burton! O Homem que é conhecido pelos seus filmes sombrios, com cores sóbrias teve de ceder perante o tema "circus", cor em todo o lado. Mas demais para mim!
O filme original não tinha muito por onde se lhe pegar, e há enormes diferenças de um para o outro. Foi necessário desenvolver um plot forte, quase inexistente no original. Como já sabíamos, o original baseava-se no gozar com as orelhas do bébé "Jumbo", mais tarde Dumbo, na separação dele e da sua mãe, na amizade com um ratinho e no transformar o elefante voador num número de circo patético. O que esta nova versão acrescenta é uma nova história por detrás de todos estes acontecimentos e que se vai construíndo degrau a degrau até à cena de fuga quase no final do filme.
Para lá das cores que me aborreceram e do CGI terrível na sequência de abertura, o filme dá-nos cenários deslumbrantes, que ainda nos surpreendem mais sabendo que são cenários gigantescos que foram de facto construídos para as gravações, e nisso, estão de parabéns!
Vamos entrar agora no elenco, e aqui incluo o baby Dumbo. Havia momentos em que estava muito irrealista e outros em que isso quase passava despercebido. A "humanização" das suas expressões faciais foi muito bem conseguida. Para adultos claro que é um pouco ridículo um elefante perceber o que um humano diz, mas era essencial esta faceta no filme. A mãe do Dumbo estava super bem feita, quase pareci verdadeira!
Senhor Medici, interpretado por Danny DeVito, o chefe do circo "Irmãos Medici". Para ser honesto estava à espera de um personagem mais caricato. Sim, meteu piada, mas faltou algo ao seu personagem! Tirando isso é um personagem que gostei bastante! Depois, o Holt, Colin Farrel, não foi o meu personagem favorito, aliás não gostei dele até bem perto do final do filme. É um personagem arrogante, que não dá a mínima atenção aos seus filhos no início, mas que no fim se "imortaliza" como um dos heróis da história. Quanto à Eva Green, estava à espera de algo mais. Devo apontar que o filme acontece em fast pace, tudo se desenrola muito rápido e não dá grande tempo para o desvendar mais atento dos personagens. Mas gostava de a ter visto a trair o Vandemer depois de serem aliados e não simplesmente a ficar desde o inicio do lado dos freaks do Medici, mas isso tendo acontecido fez com que se tornasse uma das personagens mais "gostadas" do filme. Mas agora sim, o antagonista da história. Não lhe vou dar o título de vilão, porque não sinto que mereça essa designação. A personagem não se deu muito ao lado vingativo de um vilão, apenas foi o "lobo mau". Não um personagem que goste nem desgoste, é só mais um. A Milly (Nico Parker) e o Joe (Finley Hobbins), filhos do Holt, foram dos personagens a quem o filme deu mais atenção, por serem desde o inicio aqueles que sempre quiseram o bem do Dumbo, acho que para crianças até desempenharam um bom papel, e como sabemos, isso é bem raro.
O filme tem cenas e cenários deslumbrantes como já referi. Destaco algumas cenas como a chegada à Dreamland que impõe o poder do Vandemer para com o Medici e o salvamento da mãe do Dumbo, que é a cena mais "importante", onde a ação finalmente se desenrola depois de o filme ter caminhado sempre para esse momento. Mas as minhas duas cenas favoritas foram, antes de todo este plano de fuga se iniciar, temos o Dumbo a deslumbrar a parada de elefantes rosa, no centro da arena, feitos através de bolhas de sabão, para quem se lembra, no filme original estes elefantes eram feitos pelos arrotos do Dumbo e do ratinho que se encontravam bebedos. A outra cena que eu amei e posso sim confirmar ser a minha favorita número um, é o final do filme. O reencontro da mãe Jumbo e do Dumbo com os restantes elefantes, já na selva. É com uma paisagem lindíssima que o Dumbo apresenta o seu talento de voar aos demais e todos o aceitam e glorificam, foi um final muito emocional e bem conseguido.
Para os mais sentimentais, o filme vai-vos fazer chorar no mínimo uma vez, como me fez a mim! A despedida do Dumbo. Não tenho palavras que cheguem para demonstrar o quão feliz fiquei e triste também.
Banda sonora ficou a cargo, mais um vez felizmente, de Danny Elfman! Alguns momentos do score original fizeram-me lembrar a soundtrack de "Eduardo Mãos de Tesoura", mas isso acontece quase sempre que estes dois gigantes se juntam. Bravo à banda sonora e em particular à versão de "Baby Mine" pelos Arcade Fire.
Quanto a este filme, não lhe vou dar cinco estrelas, mas sim quatro, porque embora tenha sido uma boa experiência viver este conto, continuo a sentir que faltou algo e que não cumpriu 100% com a expectativa. Mas gostei e aconselho a perderem um pouquinho do vosso tempo para verem o filme!
Como sempre, bons filmes e boas leituras!
